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03/07/2019 | Indústria quer 'inclusão digital' para competir - Valor Econômico

Ainda presa à era mecânica e colocada diante de um processo de abertura à competição com produtos europeus, a indústria brasileira deve ganhar um programa chamado "Brasil Mais Digital", com objetivo de colocar à disposição dos empresários uma biblioteca de soluções para melhorar a produtividade, e um batalhão de consultores. A modernização da indústria virou questão de sobrevivência após a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia.

Uma década após sua implementação de fato virá a abertura do mercado brasileiro aos produtos industriais europeus. As tarifas de importação para 72% deles estarão em zero em uma década. "O setor produtivo será pressionado pelo que está acontecendo no mundo todo", afirmou ao Valor o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira. "Produtividade, tecnologia e inovação terão de ser pauta das empresas, ou elas estarão fora das cadeias produtivas de valor." Há indústrias brasileiras que estão na fronteira de inovação e não terão dificuldade em competir. Mas Ferreira estima que 80% das empresas estejam ainda na etapa 2.0, de tecnologia mecânica.

Ainda não entraram na era da automação, e muito menos na da inteligência artificial. Ou seja, há um grande atraso a ser compensado. O "Brasil Mais Digital" funcionará na base do "faça você mesmo". As indústrias poderão consultar soluções e, quando for o caso, contratar consultores por intermédio da plataforma. Essa foi a forma encontrada para massificar o apoio que já vem sendo dado pelo governo no programa "Brasil Mais Produtivo", que, no ano passado, levou consultorias na área de produtividade para 3 mil indústrias.

Como esse programa depende de recursos públicos, é limitado. A disponibilização dos dados numa plataforma digital busca minimizar esse problema. No "Brasil Mais Digital" haverá explicações, por exemplo, sobre "lean manufacturing", o chamado Sistema Toyota de Produção, e como a mudança de posição de uma máquina pode facilitar o trabalho e melhorar a produção. Contará também cases como o da cadeia do leite de Rondônia, que aumentou sua produtividade com uso de aplicativos tecnológicos.

Outras áreas são: como economizar energia, como integrar sistemas e por que contratar uma startup para solucionar problemas na produção. A ideia é levar o programa daqui a duas ou três semanas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente Jair Bolsonaro, segundo Ferreira. "Estamos compilando boas práticas e colocando tudo na nuvem." O programa é uma das várias iniciativas que o governo pretende colocar em operação para preparar o parque industrial brasileiro para a competição dura que virá. A promessa do governo é colocá-lo em andamento logo depois da reforma da Previdência. Na avaliação do presidente da ABDI a medida mais crucial para melhorar a competitividade da indústria é justamente o segundo item da pauta: a reforma tributária.

Paralelamente, ele aponta para a desburocratização. "Não existe economia digital num país em que o governo é analógico." Do lado do empresariado, Ferreira ressalta a necessidade de desenvolver a cultura exportadora. "Esse acordo coloca o Brasil na rota dos países mais liberais em termos de comércio", avaliou. Vai abrir um mercado local de 200 milhões de consumidores, mas permitirá acesso aos 400 milhões de consumidores do lado europeu. "O Brasil sempre usou o mercado interno como muleta e não se preparou para exportar", afirmou. "Isso não cabe mais, como não cabem mais as políticas protecionistas do passado."

Ferreira acrescenta que parte do empresariado brasileiro viveu até hoje uma espécie de síndrome de Estocolmo, na qual um sequestrado se afeiçoa ao sequestrador. "Que ele era refém dos governos anteriores, é grande fato", disse. "Ele esperava o governo lançar uma linha de crédito para tomar uma decisão." A ABDI trabalha para obter um certificado de origem para o café da Amazônia, produzido em Rondônia. Trata-se de um reconhecimento que eleva o valor do produto. "A obtenção de certificados deveria ser uma prática para todos os produtos", afirmou. Outra frente em estudos na agência é a conversão de produtos agrícolas em semimanufaturados.

Ferreira cita como exemplo as exportações de frutos amazônicos, como açaí e cupuaçu, para os Estados Unidos. "O aeroporto de Boa Vista está a uma hora e meia de Miami", disse. Porém, a exportação de frutos esbarra nos controles sanitários. Essa dificuldade pode ser contornada se a polpa das frutas for processada. "Vamos discutir a transformação de todo o setor agrícola de produtor de commodities para semimanufaturados", afirmou. A lógica pode se aplicar também à soja, que pode ser exportada na forma de óleo. "Isso tem de acontecer agora."

Uma ideia em análise na ABDI é converter algumas Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs) que só existem no papel para fazer esse trabalho. Outra forma de utilizar essas áreas especiais de produção é convertê-las em "sandboxes", que são locais onde é facilitado o teste de novas tecnologias. Na área industrial, a agência conduz um programa para melhorar a qualidade de peças fabricadas no Brasil para a indústria automobilística. O programa é tocado em parceria com quatro montadoras japonesas: Honda, Toyota, Mitsubishi e Nissan.

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