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01/08/2019 | Os juros, enfim, mergulham (Celso Ming) - O Estado de S. Paulo

Os juros básicos (Selic) já estão nos 6,0% ao ano e devem fechar o ano nos 5,5%, como esperado pela maioria dos consultores e analistas de economia e finanças que encontram respaldo também no comunicado do Banco Central.

O gráfico dá ideia da impressionante trajetória dos juros no Brasil. Em julho de 2015, a Selic era de 14,25% ao ano. Agora, está no início da fase de aterrissagem, processo vivido há mais tempo pelos países avançados, que hoje trabalham com juros muito perto do zero por cento ou mesmo negativos.

Nesta quarta-feira, o Fed, banco central dos Estados Unidos, pela primeira vez desde 2008, reduziu em mais 0,25 ponto porcentual os juros que estavam entre 2,25% e 2,5% ao ano. Seu objetivo foi afastar ameaças de queda da atividade econômica nos Estados Unidos. Os outros grandes bancos centrais também se movimentam em direção ao afrouxamento monetário, como ação preventiva contra a crise.

Por trás do deslizamento da Selic está um fenômeno relativamente novo na história da República, que é a inflação cada vez mais baixa. Deverá fechar o ano abaixo dos 4,0% ao ano e, pela expectativa dos formadores de preços, também não deverá ser superior a 4,0% no fim de 2020, como mostra a pesquisa Focus, do Banco Central.

Desta vez, inflação e juros rastejantes não foram obtidos por mecanismos artificiais, largamente utilizados no passado, como congelamento de preços, subsídios ao consumo ou tabelamentos do câmbio, dos juros e da correção monetária. São efeitos estruturais sustentáveis, cujas causas ficam para ser analisadas em outra oportunidade.

Consequências

Uma das consequências desses juros bem mais baixos é a pulverização dos rendimentos das aplicações de renda fixa. Com juros a 5,5% ao ano e inflação de 4,0%, os juros reais não passarão de 1,5% ao ano. Quem aplica suas reservas em fundos de renda fixa tem de pagar imposto sobre o rendimento (mínimo de 15%) e ainda a taxa de administração do banco. Se essa taxa de administração for de 1% ou mais, o rendimento real da aplicação terá derretido e se transformado em negativo em termos reais.

Na prática, nesse tipo de alocação de recursos, o aplicador estará gastando mais do que estará recebendo. Melhor seria se deixasse seu dinheiro dormindo no forro de algum colchão. Portanto, fundos de renda fixa com esses custos não fazem mais sentido. Uma coisa é pagar taxa de administração de 1 a 1,5% ao ano quando os juros são de 8 a 10% ao ano. E outra, bem diferente, é quando estão abaixo de 2% ao ano, como já começa a acontecer. O aplicador tem um dever de casa: examinar quanto o banco está cobrando de administração e montar em outro cavalo se a taxa for alta demais.

Afora isso, estão lançadas as condições para nova situação do mercado financeiro brasileiro em que começam a prevalecer juros no chão ou até negativos. O investidor tende a aderir à renda variável (especialmente ações) ou a se refugiar na velha caderneta de poupança, que funciona na base do pinga-pinga, mas pelo menos dá liquidez, segurança e alguma rentabilidade.

O outro efeito, esse sim desejado, seria a queda do custo do crédito para o tomador. Mas, nessa ponta, as coisas andam muito devagar, não só porque o mercado de crédito é oligopolizado, mas também porque a população continua altamente endividada e incapacitada de carregar mais passivos.

Como está no comunicado do Copom divulgado após a reunião, uma das razões pelas quais os juros agora podem cair é a fraca atividade econômica. A pergunta agora é se mais dinheiro no mercado provocará a ansiada recuperação. O que se pode dizer é que juros mais baixos podem ajudar. Mas para isso será preciso mais, a começar por aumento das despesas públicas, que, no entanto, exigem equilíbrio das contas do setor.

 

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