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06/09/2019 | Inflação desacelera para 0,11% em agosto; preço de alimentos recua - O Estado de S. Paulo

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,11%, ante um avanço de 0,19% em julho, informou nesta sexta-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O resultado ficou levemente acima da mediana das estimativas (+0,10%), calculada pelo Projeções Broadcast a partir do intervalo que ia de 0,07% a 0,24%. A taxa acumulada no ano é de 2,54% e em 12 meses, de 3,43%, dentro das projeções dos analistas, que iam de 3,39% a 3,52%, com mediana de 3,42%. 

Para o economista André Braz, analista de inflação do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), os resultados de agosto mostram que a inflação para 2019 está praticamente dada: preços comportados e abaixo da meta de 4,25%.

"O número de agosto é um reflexo de duas coisas: tem uma economia que não estimula o consumo e isso faz com que alguns produtos acabem avançando menos de preço. As famílias ainda estão na fase de pagamento de dívidas, para depois conseguirem comprar bens novos. Mesmo com estímulos como o novo saque do fundo de garantia, o consumidor agora está dando prioridade ao pagamento de contas atrasadas, para sair dos juros altos."

Ele avalia, no entanto, que as altas recente do dólar - hoje na casa dos R$4,10 -  ainda devem ser sentidas na inflação dos próximos meses, sobretudo refletindo um futuro aumento dos preços dos combustíveis, mais sensíveis ao câmbio. "Não vai ser nada, no entanto, que nos tire da meta de inflação ou que interrompa o espaço que existe hoje para queda de juros", diz.

Queda no preços dos alimentos

O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma ligeira alta de 0,01% em julho para recuo de 0,35% no mês passado. Os alimentos para consumo no domicílio tiveram queda de 0,84%. A contribuição negativa mais intensa no grupo foi do tomate, que ficou 24,49% mais barato no mês, um impacto de -0,08 ponto porcentual para a inflação.

As famílias também pagaram menos pela batata-inglesa (-9,11%), hortaliças e verduras (-6,53%) e carnes (-0,75%). Por outro lado, houve reajuste nos preços das frutas (2,14%) e da cebola (7,05%).

Conta de luz mais cara

A tarifa de energia elétrica teve alta de 3,85% em agosto, após já ter aumentado 4,48% em julho, segundo o IBGE. O item deu a maior contribuição para a inflação do mês, 0,15 ponto porcentual.

"Teve uma mudança de bandeira tarifária, era amarela em julho, e agora tem a bandeira vermelha patamar 1 em agosto, isso acabou pesando", explicou Pedro Kislanov da Costa, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

A bandeira tarifária vermelha patamar 1 prevê cobrança adicional de R$ 4,00 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

À exceção de Vitória (-8,64%) e Salvador (-1,37%), todas as demais regiões pesquisadas apresentaram alta na energia elétrica. Em Vitória, houve redução de 6,48% no valor das tarifas a partir de 7 de agosto. Em Salvador, houve redução da alíquota de PIS/Cofins.

O gasto das famílias com Habitação subiu 1,19%, respondendo por uma contribuição de 0,19 ponto porcentual para o IPCA.

O gás encanado subiu 0,46% em agosto, em consequência do reajuste de 0,99% nas tarifas do Rio de Janeiro no início do mês. O gás de botijão ficou 0,93% mais barato, depois que a Petrobrás anunciou uma redução de 8,17% no preço do botijão de gás de 13 kg nas refinarias, a partir de 5 de agosto.

 A taxa de água e esgoto aumentou 1,34%, devido a reajustes em Goiânia, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória e Recife.

 

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