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17/10/2019 | Onde estão os empregos? (João Saboia) - Valor Econômico

Com cerca de 28 milhões de pessoas subutilizadas, o mercado de trabalho vive dificuldades sem precedentes. Após seis anos de recessão e crise na economia brasileira essa é uma consequência inevitável. Desde 2014 o número de desocupados dobrou, saltando de 6,4 para 12,6 milhões. Já os desalentados (que desistiram de procurar emprego) triplicaram, subindo de 1,5 para 4,7 milhões no mesmo período. Enquanto isso, a informalidade não para de crescer e as filas de pessoas em busca de emprego não param de aumentar. Em um momento como esse uma leitura cuidadosa do mercado de trabalho pode nos trazer algumas dicas de onde estariam sendo gerados empregos no país. Em nosso artigo de 1/7 neste mesmo espaço do Valor - “Os Melhores Empregos são os que mais crescem” - apresentamos os grupos ocupacionais que tiveram o maior crescimento a partir de 2003 até 2017. De forma, até certo ponto surpreendente, concluímos que o maior crescimento do emprego estava associado a trabalhos relativamente bem remunerados, em geral ocupados por profissionais de nível superior ou técnicos de nível médio.

Desta vez voltamos ao mesmo tema, porém analisando as ocupações de forma mais desagregada para obter informações mais detalhadas. A fonte de dados é a mesma, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) que cobre o mercado formal de trabalho. Segundo a Rais, havia 46,3 milhões de postos de trabalho em 2017. Na análise é considerada a categoria de famílias ocupacionais, representando um total de 601 ocupações distintas. O período coberto parte de 2010, último ano de forte crescimento econômico, indo até 2017. Cobre, portanto, um período de desaceleração da economia incluindo recessão e crise. O crescimento do PIB nesses sete anos não passou de 3,4%. Segundo a Rais, emprego formal cresceu apenas 5% no mesmo período. Trata-se, portanto, de um período bastante desfavorável para a economia e o mercado de trabalho. Apesar das dificuldades do mercado de trabalho nesse período, um bom número de ocupações apresentou resultados bastante favoráveis em termos de geração de novos empregos. Se considerarmos as 50 ocupações com as maiores taxas de crescimento do emprego, 20 são de profissionais de nível superior, 12 são de técnicos de nível médio, quatro representam cargos de dirigentes, sete são da área de serviços, cinco são ocupações industriais e duas agrícolas. Portanto, cobrem os mais diversos setores da economia. Tais ocupações geravam pouco mais de 5% dos empregos formais existentes no país em 2017. Todas tiveram forte crescimento do emprego num período em que o mercado de trabalho teve um comportamento desfavorável.

A tabela acima lista as 30 ocupações que apresentaram as maiores taxas de crescimento do emprego em 2010/2017. Há claro destaque para profissões técnicas de nível médio ou superior, como os vários tipos de engenheiros, pesquisadores, estatísticos, técnicos em fotônica e gerentes de tecnologia da informação. A área médica também se destaca com empregos para biomédicos, serviços veterinários e técnicos em fisioterapia. Na administração pública houve crescimento do emprego para gestores públicos e auditores fiscais. Outra área usualmente mencionada com boas perspectivas de emprego foi confirmada com os dados da Rais. São os cuidadores de crianças, adultos e idosos. Refletindo a questão da falta de segurança no país, trabalhadores da área de segurança apresentaram grande aumento do emprego, incluindo a administração, instalação e manutenção de sistemas de segurança. O setor de alimentação também tem gerado ocupações com diferentes níveis de qualificação, como engenheiros de alimentos, chefes de cozinha, churrasqueiros/pizzaiolos/sushimen e trabalhadores auxiliares nos serviços de alimentação.

Professores no ensino profissional e na educação infantil também se destacaram. Este último tem ainda a vantagem de ser o maior grupo entre os 30 listados, gerando, portanto, um grande número de empregos. A área industrial foi muito atingida pela crise econômica, mas profissionais ligados às novas tecnologias como os operadores de robôs industriais tiveram performance favorável. Enfim, o leque de profissionais que tiveram as maiores taxas de crescimento do emprego no período 2010/2017 é bastante amplo, incluindo os mais distintos níveis de qualificação. Uma das discussões que têm surgido no debate sobre o futuro do emprego no Brasil é quanto aos efeitos da automação. A médio prazo, muitas ocupações acabarão, outras se transformarão e novas ocupações surgirão. Mas no curto prazo, a questão que aflige as milhões de pessoas desempregadas, desalentadas e subutilizadas no país é como se inserir da melhor forma possível no mercado de trabalho. Informações como essas levantadas pela Rais permitem que sejam identificadas as ocupações onde estão sendo gerados os empregos formais, de modo a orientar uma política de formação profissional emergencial de curto prazo para facilitar a absorção de parcela daqueles que estão atualmente excluídos do mercado de trabalho. 

 

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